A OBSCENA SENHORA D
HILDA HILST
Pois é Rô, você já sabia né, do mesmo jeito venho recomendá-lo aos demais companheiros do Fórum para movimentar mais esse novo cantinho que está tão caprichado. Cheguei a esse livro por indicação do meu amigo Conrado, após ler o igualmente visceral "Poemas Malditos, Gozosos e Devotos" da mesma e idolatrada Hilda. Não se preocupe, Clarice não está perdendo o posto no meu coração, está apenas reconhecendo uma irmã... "A Obscena Senhora D" foi uma das experiências mais devastadoras que eu tive na minha vida. Fui brutalmente violentado pelo texto em menos de 2 horas (é uma novela curta) e terminei sob a convicção de que jamais seria o mesmo. Um dos poucos objetos estéticos que me fez realmente experimentar o conceito do Sublime, do incomensurável kantiano que muito mais que filosofia vã, é uma sensação aterradora de deslumbramento e finitude: um milagre. Provavelmente, o único paralelo literário que vivi dessa forma foi "Água Viva" (olha Clarice aí), e agradeço a Deus por ter sido agraciado com a bênção dessas leituras e das reações provocadas. 2008, mesmo ano em que eu tocaria "Gerry", filme do Gus Van Sant que faria algo semelhante comigo. Um ano marcante.